O mercado de iGaming está ficando mais exigente na hora de contratar. Experiência específica no setor continua tendo peso, especialmente em posições que exigem conhecimento profundo da operação, mas já não é suficiente para diferenciar um candidato.
A seleção dos profissionais está passando por avaliações de competências que até pouco tempo apareciam somente em áreas de tecnologia, dados, compliance e operações internacionais. Fluência em dados, uso efetivo de inteligência artificial, conhecimento das regulamentações, compreensão de produto e capacidade de assumir responsabilidade pelos próprios resultados passaram a fazer parte do perfil procurado pelas empresas.
Para entender melhor essa mudança, a Partnerkin conversou com Adriana Montealegre, recrutadora internacional da indústria de iGaming, sobre o que as empresas estão procurando nos profissionais em 2026, quais competências estão ganhando importância e que características podem fazer diferença entre avançar ou não em um processo seletivo.
A entrevista mostra uma mudança importante na lógica de contratação. O mercado continua valorizando conhecimento especializado, mas está procurando profissionais capazes de aplica Confira!
O mercado de trabalho do iGaming não se resume às funções tradicionalmente associadas às apostas e aos cassinos online.
O crescimento das operações de cassinos e casas de apostas criou demanda por profissionais de tecnologia, produto, dados, marketing, operações, pagamentos, compliance, risco e outras áreas. Para quem já trabalha no setor, isso significa uma variedade maior de caminhos profissionais. Para quem vem de outra indústria, significa que a experiência anterior pode ser aproveitada. A questão é entender quais competências são transferíveis.

Um profissional de tecnologia pode chegar ao iGaming trazendo experiência com plataformas e integrações. Alguém de dados pode aplicar conhecimentos de análise e segmentação. Um especialista que já trabalhou em um mercado regulado pode ter familiaridade com processos de compliance e gestão de risco.
O setor continua valorizando quem conhece sua dinâmica, mas as empresas também estão olhando para competências que podem ser aplicadas independentemente da indústria de origem.
É justamente aí que começa a conversa com Adriana.
Para os recrutadores, avaliar um candidato hoje envolve mais do que verificar se ele já ocupou uma posição semelhante em outra empresa.
A inteligência artificial, por exemplo, mudou a maneira como várias funções são executadas. Dados estão presentes em áreas que antes dependiam menos de análise quantitativa. E a regulamentação passou a interferir diretamente em decisões de produto, marketing e operação.
Isso aumentou a importância de profissionais que conseguem conectar diferentes áreas.

Também existe uma expectativa maior em relação à autonomia. Empresas precisam de pessoas que consigam identificar um problema, trabalhar na solução e acompanhar o resultado sem depender de instruções a cada etapa.
Esses pontos aparecem com bastante clareza nas respostas de Adriana, que detalha abaixo as principais competências que estão sendo avaliadas em 2026.
A experiência no setor de apostas ainda pesa na avaliação de um candidato, principalmente quando a vaga exige familiaridade com a operação e com as particularidades do mercado. Ao mesmo tempo, o perfil procurado pelas empresas começou a se ampliar.
Para a Adriana, essa mudança aparece na própria definição do que passou a ser considerado uma competência relevante para trabalhar no iGaming. As empresas de iGaming passaram a valorizar não apenas a experiência na indústria como uma hard skill, mas também fluência em dados, execução habilitada por IA, conhecimento regulatório e ownership. Nós também perguntamos à ela quais são as competências e as hard skills que estão sendo mais valorizadas no iGaming no momento.
A tecnologia e a regulamentação mudaram a rotina das empresas de iGaming e também a forma como os profissionais são avaliados. Para Adriana, algumas competências ganharam espaço justamente porque passaram a ter impacto direto na operação.
“O conhecimento em IA e automação de fluxos de trabalho é fundamental para o mercado de trabalho atual.
Fluxos de trabalho automatizados, uso responsável, melhoria da pesquisa, relatórios e compreensão sobre como a privacidade de dados, o compliance e a gestão de riscos devem ser tratados pela empresa são fundamentais.
Já não é suficiente listar “ChatGPT” entre as habilidades. É preciso demonstrar que o uso de IA realmente melhora o tempo, os custos e a produtividade.”
Adriana Montealegre, recrutadora especializada em iGaming.
“Os dados não estão mais restritos ao Google Analytics e Business Intelligence. Os candidatos precisam demonstrar confiança para lidar e gerenciar dados em larga escala, segmentação e análise de cohorts, como transformar a informação em recomendações mensuráveis, testes e implementação.
Isso é crucial para funções técnicas, nas quais a governança de dados continua sendo uma das hard skills mais procuradas.”
Adriana Montealegre, recrutadora especializada em iGaming.
“Entender a regulamentação e como ela impacta os resultados comerciais e operacionais deixou de ser responsabilidade do Departamento Jurídico. Qualquer candidato deve pelo menos entender os conceitos básicos de AML, KYC, KYB e processos de source-of-fund.
A indústria deu um grande passo em direção à transparência e ao jogo responsável, com foco na proteção dos jogadores, fraude, sanções e licenciamento em múltiplas jurisdições.
Isso é fundamental para ter sucesso na etapa de entrevista e os candidatos mais procurados precisam ser capazes de traduzir a regulamentação em produtos, procedimentos operacionais e marketing práticos, muito mais do que conhecer as regras.”
Adriana Montealegre, recrutadora especializada em iGaming.
“Os candidatos precisam entender como todo o ecossistema se conecta, desde APIs e integrações de terceiros até roadmaps e priorização. PAMs, agregadores, game providers e plataformas impactam diretamente o resultado final.
Olhando para as soft skills, os gestores de contratação estão procurando indivíduos que possam cuidar de um problema desde a identificação até a execução e a medição. Candidatos que precisam de treinamento, ou requerem constante instruções, são menos atraentes.
Embora o conhecimento especializado coloque um candidato na shortlist, autogestão, adaptabilidade e aprendizado contínuo, comunicação e data storytelling, System and Commercial thinking, juntamente com influência multifuncional, conforto com a ambiguidade e inteligência cultural desempenham um papel importante na decisão de uma empresa de seguir adiante com uma contratação.”
Adriana Montealegre, recrutadora especializada em iGaming.
A entrevista com Adriana ajuda a colocar em perspectiva o que as empresas passaram a observar nos candidatos. A experiência no setor continua tendo valor, mas deixou de funcionar como uma resposta completa.
O profissional precisa mostrar o que consegue fazer com o conhecimento que acumulou. Isso vale para dados, IA, produto, compliance e também para as competências comportamentais.
Para quem já trabalha em iGaming, o recado é olhar para além da própria função. Para quem está tentando entrar no setor, experiências anteriores em tecnologia, dados ou mercados regulados podem ser relevantes, desde que exista uma conexão clara com o trabalho que será desenvolvido.
No fim, a contratação está ficando menos dependente da lista de ferramentas e cargos no currículo. A capacidade de resolver problemas, tomar decisões e medir o resultado do próprio trabalho ganhou espaço.
A indústria continua crescendo em complexidade e, com isso, o profissional que consegue transitar entre diferentes áreas ganha espaço.
Dados, IA, compliance e produto já não são assuntos isolados dentro das empresas. Eles fazem parte de decisões que afetam diferentes equipes e, em muitos casos, o resultado comercial da operação.
Isso também explica por que a experiência em iGaming, embora continue relevante, deixou de ser o único caminho para uma contratação. O candidato que consegue demonstrar conhecimento técnico, autonomia, capacidade de adaptação e entendimento do negócio pode encontrar oportunidades mesmo vindo de outro setor.

Para quem está se preparando para uma entrevista, a principal lição é simples: não basta dizer o que você sabe. É preciso conseguir mostrar como esse conhecimento foi usado, que problema ajudou a resolver e qual resultado trouxe.
Em um mercado cada vez mais orientado por dados, tecnologia e regulamentação, essa diferença pode pesar bastante na decisão final.