No Brasil, o iGaming atualmente passa por um momento de transformação. Após a regulamentação e a vinda de mais de 180 operadores, o mercado está altamente concorrido. Os jogadores nunca tiveram tantas opções para fazerem seu depósito, nem foram tão disputados através de publicidades nos mais diferentes canais.
Trazer um novo jogador para o cassino se tornou algo muito complexo, forçando o marketing das casas de apostas e cassinos a inovarem na estratégia de aquisição. Além disso, eles agora tem que se preocupar com as métricas de retenção mais do que nunca, pois assim como custa muito trazer um novo FTD, também está extremamente difícil retê-lo em meio à tantas ofertas de cassinos.
No meio deste cenário, ocorre o que chamamos de churn. O jogador faz seu primeiro depósito, joga e nunca mais retorna para fazer o segundo e jogar novamente. Atualmente, as operadoras estão gastando milhões em patrocínios em times de futebol, campanhas programáticas e anúncios de televisão e atraindo jogadores que jogam apenas uma vez e, se perdem, vão tentar outra casa, sem fazer um segundo depósito.
O churn tem sido o maior pesadelo das operadoras, que, agora estão começando a pensar em retenção. Os cassinos agora precisam da retenção para manter a operação lucrativa.
Assim, os cassinos têm buscado campanhas de retenção e canais de aquisição que ajudem a reter melhor os clientes. Um dos melhores canais, capazes de estimular a retenção posteriormente, é o de marketing de afiliados .
Continue conosco neste artigo e entenda por quê.
Como já falamos antes, o churn é um fator que decide as principais métricas do iGaming. Além do churn, também há o CAC (o custo de aquisição do cliente) e o LTV (lifetime value) do jogador, que é o que ele gasta ao longo do tempo que permanece como cliente.
O custo de aquisição (CAC) está se tornando cada vez mais alto devido à concorrência, e o LTV está cada vez menor devido às inúmeras opções para se jogar. O churn é apenas mais um dos fatores que estão deixando a matemática de aquisição e retenção mais “perigosa” para as operadoras.
No esforço de diminuir o churn e aumentar o LTV existem campanhas de loyalty, programas VIP, giros grátis e campanhas de CRM. Mas o que os cassinos estão notando é que, o canal de aquisição também importa muito.
Isto porque o jogador que vem de indicação (seja ela de um influencer ou de um afiliado) jogará naquela casa pela confiança que sente naquela pessoa. Isso torna o churn mais difícil, e esse é um dos fatores que fazem com que elas invistam tanto e trazer afiliados e isso pode ser uma ótima notícia para você.
A redução do churn entre FTDs de afiliados pode ser explicada através da psicologia do consumidor e da teoria da validação social. Em um mercado onde novas casas de apostas surgem semanalmente, o jogador médio sofre de fadiga de decisão e ceticismo. 'Meu dinheiro está seguro aqui? Eles pagam rápido? As odds são justas?'. A marca do operador, por si só, muitas vezes não consegue responder a essas perguntas de forma crível na visão do consumidor. Afinal, toda publicidade institucional dirá que a própria plataforma é a melhor.
O afiliado entra como um validador terceirizado. Quando um streamer de confiança passa três horas por dia interagindo com sua comunidade, mostrando perdas e ganhos reais em um cassino específico, ele transfere sua própria autoridade para o operador. O jogador não está depositando na 'Casa de Apostas X'; ele está depositando na casa de apostas que o 'Influenciador Y', em quem ele confia, utiliza e recomenda. Essa transferência de autoridade cria um vínculo psicológico muito mais forte no momento do FTD.
Além disso, o tráfego de afiliados é um tráfego educado. O jogador que lê um review detalhado sobre um operador através de um portal de SEO (Search Engine Optimization) focado em iGaming já entende os métodos de pagamento disponíveis, os termos do bônus de boas-vindas e a seleção de jogos. Ele entra na plataforma com expectativas alinhadas. O alinhamento de expectativas é a principal arma contra o churn. A maioria das inatividades precoces ocorre devido à fricção, problemas no KYC, frustração com o saque, ou desentendimento das regras do bônus. O afiliado já mitigou essas fricções através do seu conteúdo, entregando ao operador um jogador 'pronto' e com uma intenção de jogo muito mais duradoura.
Dados da indústria apontam que FTDs originados de afiliados, especialmente em modelos de Revenue Share (onde o afiliado ganha uma porcentagem das perdas líquidas do jogador ao longo do tempo), possuem um LTV que pode ser até 2 a 3 vezes maior do que FTDs de tráfego direto não orgânico. O modelo de negócios do afiliado em RevShare o incentiva a enviar tráfego de alta qualidade.
Se ele envia jogadores que apenas abusam do bônus e saem (churn), sua própria receita cai a zero. Portanto, as estratégias do afiliado são voltadas para atrair VIPs, high rollers e jogadores recreativos consistentes.
Mesmo no modelo de CPA (Cost Per Acquisition), os afiliados top-tier sabem que a manutenção de suas negociações premium com os operadores depende da qualidade das 'safras' (cohorts) de jogadores que enviam. Um afiliado que envia mil FTDs com um churn de 90% no primeiro mês rapidamente terá seu acordo rebaixado ou cancelado pelas equipes de afiliação dos operadores. A simbiose do mercado exige qualidade, e essa qualidade se reflete em maior retenção e engajamento a longo prazo, impulsionando os KPIs gerais da operação.
Para aprofundarmos neste tema, convidamos Eduardo Luqueze, profissional altamente respeitado no mercado brasileiro de iGaming e que atuou como COO de marcas proeminentes como NossaBet e Betmais. Com uma visão estratégica refinada sobre operações e aquisição, Eduardo compartilha suas perspectivas sobre os desafios atuais de retenção e o papel vital dos afiliados e do CRM no ecossistema de apostas.
Pergunta: Eduardo, atualmente vemos o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) atingir níveis recordes no setor de iGaming, apertando as margens das operações. Como você enxerga esse cenário e de que forma os afiliados ajudam a equilibrar essa balança entre aquisição e retenção?
Eduardo Luqueze: Está muito caro adquirir jogadores no momento e a retenção não está pagando a aquisição. As operações estão tendo que se adaptar, inovar, fazer mais comunicação de marca e diversificar os canais. Falta mais uma camada de validação social. A conversão de afiliados, de certa forma, impulsiona a retenção e reduz o churn porque utiliza da autoridade do afiliado.
Pergunta: Diante dessa necessidade de adaptação, o que as operações precisam fazer para garantir que o jogador permaneça engajado a longo prazo, e qual a importância do canal pelo qual ele foi adquirido nesse processo?
Eduardo Luqueze: É preciso fazer o jogador enxergar mais valor na casa. Personalizar sua experiência, assim como a Netflix. O canal que ele é convertido importa muito e o futuro do iGaming está tendendo a ser este.
Pergunta: Falando especificamente sobre canais, por que o tráfego gerado por afiliados costuma ter um desempenho diferenciado em termos de valor percebido, quando comparado a métodos mais tradicionais como a mídia programática?
Eduardo Luqueze: O afiliado consegue levar valor a uma casa específica que outros canais, como a mídia programática, nem sempre consegue, porque o afiliado utiliza uma comunicação e tom de voz próprios.
Pergunta: Olhando para o momento pós-aquisição, qual é hoje o maior gargalo que as operadoras enfrentam para evitar o churn, e como o trabalho inicial do afiliado se conecta com as estratégias internas da casa, como o CRM?
Eduardo Luqueze: O maior gargalo posterior à aquisição geralmente está na falta de uma personalização e na nutrição do valor. Geralmente, a maior vertical da retenção é o CRM, mas mesmo nestes, ainda falta personalização. Os afiliados conseguem criar uma experiência de aquisição um pouco mais personalizada. Se o operador trabalhar bem esse jogador depois através do CRM, a chance de ele churnar é menor.
Pergunta: Para finalizar, como o uso da autoridade de terceiros, como o prestígio e a comunidade de um afiliado, impacta a diferenciação e o fortalecimento de uma marca de iGaming em um mercado com tantas opções para o jogador?
Eduardo Luqueze: Atualmente, um dos maiores benefícios na publicidade de iGaming é importar autoridade de outros lugares para diferenciar a marca. Alguns afiliados conseguem fazer isso e, desta forma, podem impulsionar a retenção, mesmo que depois ainda haja um grande trabalho a ser feito na personalização da comunicação.
Como brilhantemente pontuado por Eduardo Luqueze, o papel do afiliado não é a salvação completa por si só se a operadora não fizer sua parte. O afiliado entrega um FTD altamente qualificado, validado socialmente e propenso a confiar na marca. No entanto, a partir do momento em que o depósito é feito, o bastão é passado para a equipe de CRM do operador. É neste momento crítico que o verdadeiro LTV é construído ou destruído.
O grande erro de muitas operações de iGaming é tratar o jogador oriundo de um afiliado VIP da mesma forma que tratam um jogador vindo de um banner de massa. A falta de personalização é um dos principais aceleradores do churn. Se o jogador foi adquirido através de um afiliado focado em apostas de tênis (esportes), mas o operador passa as próximas três semanas enviando e-mails e SMS oferecendo rodadas grátis no jogo do tigrinho (slots de cassino), há uma ruptura drástica no alinhamento de interesses.
As operações mais sofisticadas do mercado utilizam dados granulares das campanhas de afiliados para segmentar os FTDs imediatamente em fluxos de comunicação (journeys) específicos. A retenção torna-se uma extensão do tom de voz do afiliado. A hiperpersonalização, comparada por Luqueze ao modelo da Netflix, significa recomendar mercados de apostas baseados no comportamento de clique, oferecer bônus em horários que o jogador está ativo, e usar o canal de comunicação de preferência do usuário, seja WhatsApp, e-mail ou notificações push.
O custo da publicidade no iGaming não vai diminuir. À medida que mercados como o Brasil se regulamentam por completo, os custos de licença, conformidade (compliance) e impostos apertarão ainda mais as margens de lucro. A única saída para a sobrevivência das operações é aumentar o LTV. Isso significa transformar o modelo de negócios de 'aquisição agressiva e queima rápida' para 'construção de comunidade, entretenimento e lealdade a longo prazo'.
Os afiliados continuarão sendo parceiros estratégicos fundamentais porque eles são, por natureza, construtores de comunidades. Eles produzem o conteúdo que o jogador consome fora da plataforma de apostas. A jornada do apostador moderno não é linear; ele aposta no operador, mas discute a aposta no grupo do Telegram do afiliado, assiste à resenha no YouTube e lê as estatísticas no portal de dicas. O afiliado envolve o jogador em um ecossistema de engajamento contínuo, o que indiretamente alimenta a retenção da plataforma.
Ao importar a autoridade de redes de afiliados robustas, os operadores conseguem o que o dinheiro da mídia programática raramente compra: a lealdade fundamentada na confiança de terceiros. As marcas que entenderem essa sinergia e souberem aplicar a continuidade desse tom de voz em suas campanhas de CRM serão as líderes do mercado no futuro. O FTD de afiliado é a matéria-prima de mais alta qualidade que um cassino ou casa de apostas esportivas pode receber; cabe à operação refinar, nutrir e maximizar esse valor ao longo do tempo.
Quando se trata de marketing de afiliados para iGaming e seu impacto na retenção, você percebe algo claro: a qualidade do FTD dita a facilidade da retenção. Enquanto as operações lutam contra a escalada do CAC, o foco em canais que entregam validação social prévia se torna imperativo.
Os afiliados não fornecem apenas cliques; eles fornecem usuários com expectativas alinhadas, educados sobre o produto e motivados pela confiança. Reduzir o churn começa antes mesmo do primeiro depósito, no conteúdo e na comunicação do parceiro afiliado, e se consolida através de um CRM inteligente e focado em personalização.