Gerar FTD no iGaming nunca foi simplesmente uma questão de comprar tráfego barato, colocar um link de afiliado e esperar os depósitos aparecerem. Em 2026, essa lógica ficou ainda mais distante da realidade.
O mercado brasileiro entrou em uma fase de maior maturidade. Desde janeiro de 2025, somente operadores autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) podem atuar nacionalmente, e os sites autorizados utilizam o domínio “.bet.br”. Em 2026, o número de operadores autorizados chegou a 185, segundo dados do próprio Ministério da Fazenda.
Para o afiliado, isso muda a natureza da oportunidade.
Existe demanda, existe competição e existe dinheiro circulando. Mas a diferença entre uma campanha que gera FTDs de forma consistente e outra que apenas consome orçamento está cada vez mais relacionada à qualidade do tráfego, à escolha do operador, à experiência pós-clique e à capacidade de interpretar dados.
Em outras palavras: em 2026, não basta gerar cliques. É preciso gerar jogadores que depositam, os First Time Depositors (FTD) e, em muitos casos, é interessante otimizar as campanhas para um público que tenha mais chance de permanecer ativo na plataforma, principalmente quando o modelo de contrato de afiliado é baseado em RevShare.
O primeiro ponto é que o afiliado deixou de operar em um mercado praticamente sem filtros. A regulamentação brasileira aumentou as exigências para operadores e também para quem participa da cadeia de publicidade.
Em julho de 2026, novas regras passaram a exigir advertências específicas nos anúncios de apostas, além de reforçar a responsabilidade dos agentes envolvidos na divulgação. As normas também proíbem publicidade que induza o consumidor ao erro, promova operadores não autorizados ou apresente apostas como investimento, fonte de renda ou solução financeira.

Isso tem uma consequência prática para campanhas de afiliados: compliance passou a fazer parte da operação de mídia.
Um anúncio pode ter CTR excelente e ainda assim ser uma campanha ruim se a comunicação não estiver alinhada às regras do mercado. Da mesma forma, uma landing page pode converter bem no curto prazo, mas colocar em risco a conta de anúncios, o relacionamento com o operador ou até a continuidade da campanha.
Porém, a excelente relação que os afiliados e as operadoras de iGaming sempre tiveram não mudou, apenas está mais qualificada. Afiliados que trazem FTDs de qualidade e não esbarram no compliance conseguem ter uma altíssima taxa de sucesso.
Para quem ainda está pensando se vale a pena se tornar um afiliado de iGaming em 2026, a resposta, de uma forma curta e direta, é sim.
Evidentemente, este ‘sim’ seria uma resposta ainda mais curta, direta e certeira em anos como 2023 e 2024, antes da regulamentação. No entanto, os afiliados de sucesso ainda continuam gerando uma receita altíssima e mesmo quem está começando agora encontrará um mercado muito favorável, principalmente porque as operadoras de iGaming ainda valorizam muito este canal de aquisição.
A especialista em afiliados e tráfego pago para iGaming Isabella Koon nos cedeu um importante insight a respeito da demanda existente por afiliados e o quanto as operadoras valorizam esse canal de aquisição.
“O marketing de afiliados continua sendo um dos principais canais de aquisição, principalmente quando trabalham com tráfego qualificado e são acompanhados por KPIs como FTD, CPA, retenção e LTV.”
Isabella Koon, Especialista em Aquisição e Growth para iGaming.
O FTD, ou First Time Depositor, representa o usuário que realizou seu primeiro depósito na plataforma.
Para o afiliado, é normalmente o momento que transforma tráfego em receita. Porém, existe um erro recorrente entre afiliados iniciantes: analisar somente o volume de FTDs.
Imagine duas campanhas:
Dependendo do contrato, a segunda campanha pode valer muito mais.
É por isso que as métricas precisam ser analisadas em sequência:
impressão → clique → cadastro → depósito → atividade → retenção → receita.
Benchmarks internacionais publicados em 2026 colocam o click-to-FTD de programas de iGaming em uma faixa bastante ampla, de aproximadamente 5% a 15%, enquanto taxas de registro para FTD podem ficar na casa de 2% a 4%, dependendo de GEO, produto, operador e origem do tráfego.
Esses números são referências de mercado, não metas universais.
Isso é importante porque uma campanha com 8% de conversão pode ser excelente em determinado contexto e péssima em outro.
A intenção do usuário, o dispositivo, a modalidade de jogo, o método de pagamento, a confiança na marca e a qualidade da landing page interferem diretamente nesse resultado.
Em 2026, as campanhas mais eficientes tendem a trabalhar com uma combinação de segmentação, intenção e pré-venda.
O afiliado não precisa necessariamente mandar o usuário diretamente para o operador.
Em muitos casos, existe uma etapa intermediária: uma página comparativa, um conteúdo especializado, uma review, uma página temática ou uma experiência construída para responder à intenção específica daquele usuário. Isso é ainda mais relevante no tráfego pago.
Um usuário que pesquisa por uma determinada modalidade esportiva, por exemplo, possui uma intenção diferente daquele que simplesmente responde a um anúncio genérico sobre apostas.
Quanto mais próxima estiver a mensagem do anúncio da intenção real do usuário, maior tende a ser a qualidade do clique. E qualidade, nesse caso, não significa apenas CTR.
Um criativo pode ter CTR altíssimo porque utiliza uma promessa agressiva. Porém, se os usuários não completam o cadastro ou não depositam, o resultado financeiro pode ser inferior ao de um anúncio com CTR menor e tráfego mais qualificado.
É aqui que entram testes de criativos, públicos, páginas, ofertas e operadores. O afiliado que trata a campanha como um funil consegue descobrir onde está o gargalo. Se existe muito clique e pouco cadastro, o problema pode estar na landing page.
Se existe muito cadastro e poucos depósitos, pode ser uma questão de oferta, confiança, UX ou intenção do tráfego. Se existem muitos FTDs, mas pouca receita recorrente, talvez o problema seja a qualidade dos jogadores ou a estratégia de retenção do operador.
Essa é uma das decisões mais importantes para quem trabalha com tráfego de afiliados.
No modelo baseado em FTDs, o afiliado recebe uma comissão previamente definida quando o jogador atende aos critérios estabelecidos pelo programa normalmente após realizar o primeiro depósito. A principal vantagem deste tipo de contrato é a previsibilidade. O problema é que ele também pode limitar o ganho sobre jogadores de alto valor.
Já no RevShare, a remuneração está ligada à receita líquida gerada pelos jogadores indicados pelo afiliado, de acordo com as regras do programa. Em benchmarks internacionais de 2026, faixas de 25% a 35% aparecem como referência comum para RevShare baseado em NGR, embora os contratos possam variar bastante.
Aqui está o atrativo: um único jogador pode continuar gerando receita para o afiliado durante meses. O lado negativo é a volatilidade.
Um mês pode ser excelente e o seguinte pode cair. Além disso, o cálculo do NGR, deduções previstas em contrato, bônus, chargebacks e outros elementos podem alterar substancialmente o valor efetivamente recebido.

Por isso, o modelo híbrido FTD + RevShare também ganhou espaço. Ele combina uma parcela inicial de aquisição com participação na receita futura do jogador.
Para afiliados que compram mídia, essa estrutura pode ser particularmente interessante porque ajuda a financiar o custo inicial de aquisição sem abrir mão completamente do valor de longo prazo.
Uma das principais dúvidas de quem começa a trabalhar com tráfego pago para iGaming não está apenas em quanto tempo uma campanha consegue gerar seus primeiros FTDs, mas em quanto tempo o investimento feito pelo afiliado começa a retornar em forma de comissão.
Gerar um cadastro ou até mesmo um primeiro depósito não significa necessariamente que o afiliado já recuperou o dinheiro investido na aquisição daquele jogador. Dependendo da fonte de tráfego, do custo por aquisição, do modelo de comissão e das condições de pagamento do programa de afiliados, existe um intervalo entre o momento em que o afiliado coloca dinheiro na campanha e o momento em que esse investimento começa efetivamente a retornar.
Quando se trata de contratos de FTD, essa dinâmica é mais fácil de projetar: o afiliado consegue comparar o custo de aquisição com o valor recebido por jogador e estimar mais rapidamente o ponto em que a campanha passa a operar com margem.
No RevShare, a lógica é diferente. O jogador pode começar a gerar receita para o afiliado depois do primeiro depósito, mas o retorno é distribuído ao longo do tempo conforme esse usuário permanece ativo e gera receita para o operador.
Também existe uma diferença importante entre a campanha começar a converter e a operação começar a dar lucro. Uma campanha pode gerar seus primeiros FTDs rapidamente e ainda assim precisar de mais tempo para atingir um volume que permita recuperar o investimento inicial e confirmar que o custo de aquisição é sustentável.
É justamente por isso que o tempo de retorno precisa ser analisado considerando a fonte de tráfego, o ticket da mídia, a taxa de conversão, o modelo de comissão e, principalmente, a qualidade dos FTDs gerados.
“Os primeiros resultados podem aparecer já nos primeiros dias. Mas, em média, considero 15 a 30 dias um período mais seguro para analisar a qualidade do tráfego, otimizar a campanha e entender se a operação é realmente escalável.”
Isabella Koon, Especialista em Aquisição e Growth para iGaming.
Não existe uma única fonte de tráfego vencedora. O cenário é muito mais fragmentado.
PPC continua relevante porque permite capturar intenção. Social permite trabalhar volume e criativos. SEO constrói um ativo de longo prazo. Comunidades e canais próprios podem gerar audiência recorrente. Native e outras fontes de mídia podem funcionar bem quando existe capacidade de segmentar e testar em escala.
O ponto em comum é a necessidade de diversificação. Um afiliado dependente de uma única fonte fica vulnerável a mudanças de política, aumento de CPM, alterações de algoritmo ou bloqueios.
Já uma operação com múltiplos canais consegue redistribuir orçamento conforme os dados. Isso não significa estar em todas as fontes ao mesmo tempo.
Significa construir um sistema em que o afiliado sabe quais canais são responsáveis por aquisição, quais têm melhor potencial de escala e quais funcionam como ativos de longo prazo.
A grande diferença entre uma operação de afiliado amadora e uma operação profissional está começando a aparecer justamente aqui. O FTD continua sendo fundamental porque é o evento que transforma aquisição em receita. Mas o FTD não conta toda a história.
O verdadeiro objetivo é descobrir quanto aquele jogador vale depois de entrar na base. Se o afiliado recebe por FTD convertido, isso ajuda a determinar o valor imediato da aquisição.
Se recebe RevShare ou um modelo híbrido, o LTV passa a ter impacto direto na economia da campanha.
É por isso que os afiliados mais sofisticados estão olhando além do primeiro depósito e tentando entender a retenção, frequência de atividade, valor gerado e comportamento.
A pergunta deixa de ser:
“Quantos FTDs essa campanha gera?”
E passa a ser:
“Quanto dinheiro essa campanha consegue gerar por cada real investido em aquisição?”
Essa é a métrica que permite decidir se uma campanha deve ser interrompida, otimizada ou escalada.
As campanhas de tráfego de afiliados continuam sendo uma das principais formas de aquisição no iGaming em 2026. O mercado brasileiro tem uma base relevante de usuários e uma estrutura regulatória mais consolidada, com dezenas de operadores autorizados e milhões de participantes.
O afiliado que pretende gerar FTDs de forma consistente precisa dominar mídia, tracking, CRO, seleção de ofertas e análise financeira. Também precisa entender a diferença entre adquirir um jogador e adquirir um jogador rentável.
Contratos baseados em FTDs oferecem previsibilidade. RevShare oferece participação no valor futuro. O modelo híbrido pode equilibrar os dois. A melhor escolha depende das finanças da campanha.
E, principalmente, não existe mais espaço para analisar apenas CTR, CPC ou volume de cadastros. Em 2026, a pergunta que realmente importa é outra:
Quanto custa gerar um FTD, quanto esse FTD vale e por quanto tempo ele continua gerando receita?
É a resposta para essas três perguntas que separa uma campanha que simplesmente gera tráfego de uma operação de afiliados capaz de escalar com lucro.